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"Não sou pago para isso". Não mesmo? Está na hora de rever seus conceitos


"NÃO SOU PAGO PARA ISSO". NÃO MESMO? ESTÁ NA HORA DE REVER SEUS CONCEITOS



Outro dia estava com a minha filha de 3 anos no shopping e parei rapidamente numa dessas lanchonetes famosas que vendem mate, do qual sou frequentador de longa data, para comprar um suco de açaí e uma porção de pão de queijo.
Enquanto aguardávamos no balcão o nosso pedido, brincava com ela na maior farra até que uma voz mais forte em tom de esporro chamou a minha atenção:
– Está no código de defesa do consumidor! Vocês tem que aceitar o dinheiro e me dar o troco!
– Senhora, estamos sem troco no momento. Você não gostaria de levar mais alguma coisa? – disse a moça que estava no caixa.
– Não quero mais nada. Só quero isso e o troco. E, se não tem, vai dar uma volta no shopping para trocar o dinheiro! Se virem!
Sabe aquele momento em que se faz um silêncio sepulcral? Pois é, até a minha filha, que estava fazendo a maior algazarra, subitamente parou. Foi quando percebi uma segunda funcionária, que tentava apaziguar os ânimos, olhando para uma terceira funcionária dizendo algo do tipo “vai lá”, e aí esta respondeu de bate-pronto:
– Não vou não, pois não sou paga para isso.
Nisso o meu pedido chegou, a minha filha saiu correndo com o pão de queijo na mão e lá fui eu correr atrás dela, perdendo o final desta história e sem poder tentar ajudar de alguma forma.
O ponto é que, independente de quem estava com a razão (a princípio, para mim quem trata o outro com ignorância perde qualquer razão, mas como não vi o início da confusão não irei fazer qualquer julgamento), aquela frase dita pela terceira funcionária, ainda que proferida quase que em sussurro, me incomodou profundamente.
– Não sou paga para isso.
Com todo o respeito, este é o pensamento clássico das pessoas que dificilmente irão evoluir na carreira ou na vida, e que depois irão chorar pelos cantos dizendo que nunca têm sorte, que nada acontece, que são sempre preteridas nas promoções e que o patrão vive implicando com elas.
Mas por que será, hein?
Antes de mais nada, qual é o papel dos atendentes? Apenas anotar os pedidos e entregar os produtos corretos para os clientes? É claro que não, pois isto é a parte do todo que é, como o próprio nome já diz, atender. E atender significa que eles precisam cuidar dos clientes com relação a tudo o que a loja oferece da melhor forma possível, incluindo sim verificar essa questão do troco.
Agora imagina se essa funcionária, a que “não é paga para isso”, ao invés de falar essa sandice, não tivesse chamado as outras funcionárias de canto e falado:
– Vamos lá meninas: quanto é que falta? Vamos ver quanto cada uma tem na carteira agora e resolvemos o problema imediatamente. Depois alguém vai lá trocar o dinheiro na praça de alimentação e a gente acerta, ok?
As meninas até nem poderiam ter essa diferença em dinheiro nas suas carteiras, e este é apenas um exemplo de uma possível solução rápida e contingencial, mas a grande questão é a ATITUDE pró-ativa e pró-solução que estava demorando a aparecer – pelo menos até onde a minha filha me deixou acompanhar, e que esta funcionária fez questão de enterrar com uma pá de cal.
Pouco importa, inclusive, se ela cumpre todos os requisitos técnicos para desempenhar essa função, pois no momento de crise ela conseguiu demonstrar, de uma tacada só, que além de não ter uma atitude pró-solução, também não joga com o time, simplesmente tirando o corpo fora porque “não é paga para isso”.
E é a atitude que faz toda a diferença – positiva ou negativamente.
Afinal de contas, são justamente nos momentos de crise que as pessoas com atitude e sangue nos olhos conseguem se destacar ainda mais, achando soluções para resolverem os problemas de forma no mínimo satisfatória – e, muitas vezes, até encantadora, enquanto que as sem atitude permanecerão no seu limbo pessoal remoendo as mágoas com a certeza do dever cumprido ao tirar o corpo fora porque ou “não é paga para isso” ou “não é problema meu”.
Não mesmo?
Tudo bem.
Se, assim como essa funcionária, você também não está disposto a fazer mais, então nunca se iluda esperando por mais, pois a vida é cruel nesse sentido: sem plantio não há colheita, mas em compensação o choro é livre e farto.
A escolha é sua.
(Por: Eduardo Lopes / Fonte: Portal Administradores)
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